CONVIVER É UMA ARTE
José Ricardo da Penha Vieira
Como é que podemos compreender e vivenciar com verdadeira intensidade a arte de conviver? Como é que podemos fazê-lo em meio a toda diversidade de ações e opiniões que nos cerca.
Se nos foi dado o dom de saber discernir o que é o bem e o que é o mal, por que seus limites sempre entram em conflito quando tentamos executar essa tão necessária, porém difícil, arte?
O que é o ser paciente quando estamos tomados pela amargura? O que é o ser gentil, quando estamos revoltados com toda injustiça que envolve o mundo? Porém, o que é a estupidez se temos o amor a ser cultivado dentro de nós...
Todas as relações humanas são baseadas no convívio entre as pessoas, seja direto – através de uma conversa (O homem é um ser que conversa. Conversa sozinho, com animais, com plantas, com outras pessoas ou até com Deus.) ou indireto – através de informações transmitidas pela televisão ou um livro, por exemplo.
Isso é possível a partir do momento em que o convívio entre personagens de uma história são interpretados como verdadeiras relações. Os romances são perfeitos para essa análise, uma vez que um bom autor consegue entrar na mente das personagens e expor seus sentimentos, pensamentos, sonhos para deixar o mais claro possível a convivência entre esses seres fictícios.
No romance de Lima Barreto, Triste fim de Policarpo Quaresma, a personagem principal a princípio aparece como um homem de quem não devemos esperar nenhuma sociabilidade, um solitário por natureza; mas depois de lido o livro, encontramos um Policarpo cheio de sonhos, esperança e inteligência que nos serve de modelo em nossas próprias relações e nos ensina, assim, a conviver.
Cada um tem suas idéias e com estas, procura pessoas afins, para que aflore uma relação. Porém idéias contrárias também aproximam pessoas e fazem com que essas se relacionem. Cada um tem o seu jeito próprio de se expor, existem aqueles que são muito tímidos e que gostam de apenas ouvir, já há aqueles que adoram se expor, que possuem mais desenvoltura. No romance São Bernardo de Graciliano Ramos, temos o exemplo da relação entre o protagonista Paulo Honório e sua esposa Madalena. Paulo não demonstrava o amor que sentia por Madalena, tinha muito ciúme dela e isso a castigava. No final, com toda a sua arrogância, fica só e velho. Mesmo sendo diferentes, se houvesse a compreensão e a possibilidade de mudança na personalidade do narrador- personagem, a história poderia ter um fim mais salutar, todavia o próprio Paulo diz que se tivesse que voltar no tempo, tudo seria como foi.
Diariamente, vemos rivalidades, um que quer ser melhor que o outro em tudo o que for possível. Vivenciamos o ataque sofrido pelos Estados Unidos, pela Espanha ou Inglaterra, em que pessoas inocentes foram mortas sem que se soubessem o porquê. Os conflitos no Oriente Médio podem ser a razão para tanto. Por que judeus e árabes não convivem pacificamente? Por que tribos são escravizadas por outras na África? Por que os ciganos e outras minorias são varridos da Europa?
Por que será que não conseguimos conviver sem a tal da ‘violência’?
Precisamos tentar – de todas as formas – acabar com isso. A maneira mais simples é ser solidário, amigo, compreensivo e por que mesmo assim, não conseguimos nos conviver?
Porque até hoje, século XXI, ninguém entendeu o significado da palavra ‘convivência’.
Cores de um viver
Conviver
Ver
Ver no mundo de hoje
Sem diferença
De raça, credo, poder.
Somos iguais
No corpo,
Na mente.
Na vida, apenas rumos diferentes.
Alegrias. Felicidades.
Somos iguais
A ponto de pensar
Em um dia viver melhor.
Conviver
Ver
melhor
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